A rotina de fechamento do mês
A situação
O mês acabou e você precisa ter certeza de que o que está no sistema é o que aconteceu de verdade — antes que alguém peça um relatório, um financiador pergunte alguma coisa, ou o erro de hoje vire o erro de seis meses atrás.
💡 A ideia central
Fechar o mês não é uma tarefa de contabilidade: é a hora em que a OSC para de confiar na memória e passa a confiar no registro. Feito todo mês, leva pouco mais de meia hora. Deixado para quando alguém pedir, vira uma semana de arqueologia — e o pior é que você vai fazer isso justamente quando estiver com pressa.
Decida antes de mexer no sistema
Que “fechado” é uma combinação, não um botão
⚠️ O sistema não tranca o mês. Não existe cadeado: um lançamento de março pode ser editado em setembro, e nada avisa ninguém.
Isso é deliberado — OSC recebe comprovante atrasado, descobre erro depois, precisa corrigir. Mas significa que “fechado” é uma disciplina da sua organização, e vocês precisam combinar o que a palavra significa. O mínimo:
- em que dia o mês é fechado (o dia 5 costuma funcionar: o extrato do banco já está completo);
- quem faz;
- quem confere — de preferência não a mesma pessoa;
- o que fazer quando aparecer algo de um mês já fechado.
Que o que vale é a data do pagamento
O sistema trabalha por regime de caixa: um lançamento entra no mês em que o dinheiro saiu ou entrou da conta, não no mês a que ele se refere.
A conta de luz de agosto, paga em setembro, é uma despesa de setembro. Se você espera vê-la em agosto, vai achar que sumiu.
O que você vai gerar, e para quem
Antes de começar, saiba onde o resultado vai parar: um PDF para a diretoria, um relatório para o conselho fiscal, os dois. Isso muda o que você confere com mais cuidado.
O passo a passo
1. Feche as filas antes de conferir os números
Comece pelo que ainda está em aberto e pertence ao mês:
- Reembolsos e pedidos de pagamento aprovados que já foram pagos de verdade, mas ainda não foram marcados como pagos no sistema. Enquanto isso não acontece, o dinheiro saiu do banco e não saiu do sistema — e nenhuma conta vai bater.
- Importações de extrato ou de planilha que ficaram pela metade.
Atalho: dá para marcar vários pedidos como pagos de uma vez, informando conta e data uma única vez. Mesma coisa para reembolsos.
2. Concilie cada conta contra o banco
Uma conta por vez, e todas — inclusive a que “quase não movimenta”, que é justamente onde o erro passa despercebido por meses.
Escolha o caminho pelo que você tem em mãos:
| Você tem… | Use |
|---|---|
| o arquivo OFX do internet banking | Conciliar extrato — o mais completo, casa linha a linha |
| só a tela do banco aberta | conciliação manual, marcando o que confere |
| só o saldo final | Caça-diferenças — a conferência rápida pelo número |
3. Resolva as diferenças, não as anote
Aparecendo diferença, ela quase nunca é “erro do sistema”: é lançamento duplicado, pagamento não registrado, ou algo lançado na conta errada.
⚠️ Resolva agora. Diferença anotada para depois é diferença que vai reaparecer no mês que vem, somada à do mês que vem.
4. Olhe o que ficou pendente com data passada
Lançamento previsto para o mês passado que continua pendente é uma de duas coisas: foi pago e ninguém registrou, ou não vai acontecer. As duas exigem ação — e nenhuma das duas se resolve sozinha.
5. Leia o relatório do mês
Abra os Relatórios filtrados no mês que fechou e leia — não só gere. Resultado do mês, evolução do saldo, despesas por categoria, execução por centro de custo.
Você está procurando o que te surpreende: a categoria que dobrou, a unidade que gastou o que não costuma gastar, a receita que não veio. Surpresa no relatório do mês é problema pequeno; a mesma surpresa no relatório do ano é problema grande.
6. Gere o documento e guarde
Gere a prestação de contas ou o relatório em PDF do mês fechado. Ele fica em Documentos, e é a fotografia daquele período — o registro do que você viu quando fechou.
7. Mande para quem precisa ver
Prestação de contas que ninguém lê não cumpre a função. Diretoria e conselho fiscal recebem, todo mês, sem precisar pedir.
Como saber que deu certo
- O saldo de cada conta no sistema é igual ao do extrato do banco na mesma data.
- Não sobrou lançamento pendente com data passada sem uma explicação.
- Você leu o relatório do mês e não encontrou nada que não soubesse explicar.
- O documento do mês está gerado e guardado.
- Quem precisa ver, recebeu.
Se você consegue dizer as cinco coisas em voz alta, o mês está fechado.
E se já estiver errado
Meses acumulados sem nunca terem sido fechados é a situação mais comum — e tem saída, desde que você não tente resolver tudo de uma vez.
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Comece pelo mês mais recente, não pelo mais antigo. É o que tem informação fresca, gente que ainda lembra, e comprovante fácil de achar.
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Vá voltando um mês por vez, fechando cada um antes de passar ao anterior. Você para quando o custo de lembrar ficar maior que o valor de saber.
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Use o Caça-diferenças conta por conta — ele parte do saldo final e aponta as causas mais prováveis, que é exatamente o que você precisa quando não faz ideia de onde está o buraco.
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Aceite um ponto de corte. Se os meses muito antigos não fecham e ninguém mais consegue reconstruir o que houve, registre isso — em ata, ou numa anotação da própria organização — e comece a contar dali. Uma data de corte declarada é honesta; um histórico que ninguém confia, não.
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Só então combine a rotina e comece a fazer todo mês. A parte difícil é o passivo; depois dele, é meia hora.
Para saber mais
- Movimentações — conciliação por extrato e conciliação manual
- Caça-diferenças — conferência pelo saldo
- Relatórios — o que cada relatório mostra
- Documentos — onde ficam os arquivos gerados
- Guia do Tesoureiro — o papel de quem cuida do caixa no dia a dia